Revolução Industrial – O que é? Causas e Consequências, Fases


O que é revolução industrial?

A Revolução Industrial foi um período de grandes mudanças econômico-sociais que iniciou na Inglaterra no século XVIII. Ela se expandiu por grande parte do hemisfério norte durante todo o século XIX e início do século XX.

A Revolução Industrial fez com que houvesse á substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril.

A chegada da produção em grande escala mecanizada deu início às modificações dos países da Europa e da América do Norte. Estas nações se transformaram em preponderante industriais, com suas populações cada vez mais direcionadas nas cidades.

Avanços tecnológicos

O motor a vapor

As primeiras máquinas de moto a vapor foram fabricadas na Inglaterra durante o século XVIII. Elas tiravam a água acumulada nas minas de ferro e de carvão e produziam tecidos. Devido a essas máquinas, a produção de mercadorias ampliou. E os lucros dos burgueses (donos de fábricas) aumentaram na mesma medida. Devido a isso, os empresários ingleses começaram a investir na instalação de indústrias.

Rapidamente as máquinas se expandiram pela Inglaterra e causaram mudanças tão significantes que os historiadores atuais chamam esse período de Revolução Industrial.

Não só o modo de vida, como a mentalidade de milhões de pessoas se transformaram, numa grande velocidade. O mundo novo do capitalismo, da cidade, da tecnologia e da mudança constante predominou.


As máquinas a vapor acanhoava a água para fora das minas de carvão. Elas eram fundamentais assim como as máquinas que produziam tecidos.

As carruagens viajavam a 12 km/h e os cavalos, quando se esgotavam, tinham de ser substituídos durante o trajeto. Um trem da época atingia 45 km/h e podia seguir vários quilômetros. Com isso, a Revolução Industrial fez com que o mundo ficasse mais ágil.

Ordem cronológica

Século XVII

Impactos da Revolução Industrial

1698 – Thomas Newcomen, fabrica um motor a vapor para acabar com a água em uma mina de carvão.

Século XVIII

1708 – Jethro Tull (agricultor), cria a primeira máquina de lançar puxada a cavalo, possibilitando a mecanização da agricultura.

1709 – Abraham Darby, utiliza o carvão para reduzir a produção do ferro.

1733 – John Kay, elabora uma lançadeira volante para o tear, agilizando o processo de tecelagem.

1740 – Benjamin Huntsman, inventa a técnica do uso de cadinho para produção de aço.

1761 – Abertura do Canal de Bridgewater, na Grã-Bretanha, sendo a primeira via aquática totalmente artificial.

1765 – James Watt,  estabelece o condensador na máquina de Newcomen, elemento que aumenta a eficiência do motor a vapor.

1768 – Richard Arkwright, inventa a “spinning-frame”, uma máquina de fiar ainda mais avançada que a “spinning jenny”.

1771 – Richard Arkwright, em Cromford, Derbyshire, na Grã-Bretanha, estabelece o sistema fabril em sua tecelagem ao colocar a sua máquina, que se tornou conhecida como “water-frame”, tendo a força de corrente de água nas pás de uma roda.

1776 – 1779 – John Wilkinson e Abraham Darby, em Ironbridge, Shrobsihire, criam a primeira ponte em ferro fundido.

1779 – Samuel Crompton, na Grã-Bretanha, inventa a “spinning mule”. Ele é uma combinação da “water frame” com a “spinning jenny”, autorizando a produção de fios mais finos e fortes. Ela era capaz de produzir mais tecido quanto duzentos trabalhadores, por exemplo, usando apenas alguns trabalhadores como mão-de-obra.

1780 – Edmund Cartwright, de Leicestershire, na Grã-Bretanha, registra o primeiro tear a vapor.

1793 – Eli Whitney, na Geórgia, Estados Unidos, cria o descaroçador de algodão.

1800 – Alessandro Volta, na Itália, fabrica a bateria elétrica.

Século XIX

1803 – Robert Fulton criou uma embarcação a vapor na Grã-Bretanha.

1825 – George Stephenson aperfeiçoou uma locomotiva a vapor. Ele estreia a primeira ferrovia, entre Darlington e Stockton-on-Tees, na Grã-Bretanha.

1829 – George Stephenson ganhou uma corrida de velocidade com a locomotiva “Rocket”, na linha Liverpool, na Grã-Bretanha.

1830 – A Bélgica e a França começaram as respectivas industrializações usando como matéria-prima o ferro e como força-motriz o motor a vapor.

1843 – Cyrus Hall McCormick registrou a segadora mecânica, nos Estados Unidos.

1844 – Samuel Morse criou a primeira linha de telégrafo, de Washington a Baltimore, nos Estados Unidos.

1856 – Henry Bessemer anuncia um novo modo de produção de aço. Esse modo eleva a sua resistência e concede a sua produção em escala verdadeiramente industrial.

1865 – O primeiro cabo telegráfico submarino é desenvolvido através do leito do oceano Atlântico, entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

1869 – A abertura do Canal de Suez diminui a viagem marítima entre Europa e a Ásia para seis semanas.

1876 – Alexander Graham Bell inventou o telefone nos Estados Unidos. (Em 2002 o congresso norte-americano reconheceu o italiano Antonio Meucci como autêntico inventor do telefone).Fases da Revolução Industrial

1877 – Thomas Alva Edison criou o fonógrafo nos Estados Unidos.

1879 – A iluminação elétrica foi instaurada em Mento Park, New Jersey, nos Estados Unidos.

1885 – Gottlieb Daimler fabricou um motor a explosão.

1895 – Guglielmo Marconi elaborou a radiotelegrafia na Itália.

Fases da Revolução Industrial

Primeira Revolução Industrial

A Primeira Revolução Industrial que aconteceu em meados do século XVIII e do século XIX teve como indispensável característica o início da mecanização que operou importantes transformações em quase todos os setores da vida humana.

No sistema socieconômico, foi feito a separação entre o capital, desempenhado pelos donos dos meios de produção, e o trabalho, encenado pelos trabalhadores assalariados. Com isso foi extinta a antiga organização corporativa da produção utilizada pelos artesãos.

Subordinados à baixa remuneração, condições de trabalho e de vida sub-humanas, ao contrário ao enriquecimento dos patrões, os trabalhadores uniram-se em organizações trabalhistas como sindicatos criando ideias diante do quadro social da nova ordem industrial.

A Revolução Industrial criou a definitiva supremacia burguesa na ordem econômica. Ao mesmo tempo que adiantou o êxodo rural, o crescimento urbano e a composição da classe operária.

Era o começo de uma nova época, onde a política, a ideologia e a cultura giravam em dois polos: a burguesia industrial e financeira e o trabalhador.

A mecanização se expandiu do setor têxtil para a metalurgia, para os transportes, para a agricultura e para os outros setores da economia.

As fábricas começaram a contratar vários trabalhadores. Todas essas mudanças contribuíram para a aceleração do contato entre culturas e a própria reorganização do espaço e do capitalismo.

O Estado passou a participar cada vez mais da economia. Controlou crises econômicas e o mercado e formou uma infra-estrutura em setores que tinham vários investimentos.

Segunda Revolução Industrial

O final do século XIX, foi conhecido como o período onde a livre concorrência fica para trás e o capitalismo se torna cada vez menos competitivo e mais monopolista. Empresas passaram controlar o comércio.

A Segunda Revolução Industrial foi a fase do capitalismo financeiro. Com isso as bases do progresso tecnológico e científico, planejando a invenção e o progressivo aperfeiçoamento dos produtos e técnicas, para maior funcionamento industrial.

Separaram-se as condições para o imperialismo colonialista e a luta de classes, criando as bases do mundo contemporâneo.

Terceira Revolução Industrial

O ponto crucial do desenvolvimento industrial, em termos de tecnologia, iniciou-se em 1950 com o progresso da eletrônica. Nele foi liberado o desenvolvimento da informática e a automatização das indústrias.

Esse período de novas descobertas foi marcado como a Terceira Revolução Industrial. Também ficou conhecida como a revolução científica e tecnológica.

Revolução Industrial no Brasil

Na Europa ocorria a Revolução Industrial, porém nesse período o Brasil, ainda era colônia portuguesa e ainda estava distante do processo de industrialização.

A Revolução Industrial no Brasil iniciou em 1930, cem anos após o inicio da Revolução Industrial Inglesa.

Durante o governo de Getúlio Vargas, a concentração do poder no Estado Novo estabeleceu condições para que se iniciasse o trabalho de execução e planejamento econômico, com realce na industrialização por transferência de importações.

A Segunda Guerra Mundial, que teve inicio em 1939, criou uma lentidão no processo de industrialização no Brasil. Pois foram suspensas as importações de máquinas e equipamentos. Porém, o Brasil estabeleceu acordos com os Estados Unidos, fundando a Companhia Siderúrgica Nacional (1941) e a Usiminas (1942).

Com o término desse conflito, o Estado retornou suas atividades de investidor e elevou a criação de indústrias como a Petrobras  em 1953.

Efeitos sociais

No âmbito social, o principal desdobramento da Revolução Industrial foi a mudança nas condições de vida nos países industriais em relação aos outros países da época, existindo uma mudança evoluída das necessidades de consumo da população, à medida que novas mercadorias foram sendo criadas.

A Revolução Industrial mudou consideravelmente as condições de vida do trabalhador. Ela causou inicialmente uma forte transferência da população rural para as cidades, criando enormes concentrações urbanas.

A população de Londres passou de 800.000 habitantes em 1780 para mais de 5 milhões em 1880. Logo no início da Revolução Industrial, os trabalhadores viviam em condições precárias de vida e trabalho. A jornada de trabalho também era extensa, onde chegavam a trabalhar 80 horas semanais.

A produção em grande escala foi dividida em etapas. Com a grande produção de trabalho, os salários dos trabalhadores ingleses aumentaram em mais de 300% entre 1800 até 1870.

Com o progresso realizado nos primeiros 90 anos do processo de industrialização, em 1860 a jornada de trabalho na Inglaterra foi diminuída para 50 horas semanais.Revolução industrial

De acordo com a teoria marxista, o salário representa ao custo de reprodução da força de trabalho, ou seja, ao valor mínimo necessário para que o trabalhador pudesse sobreviver.

A partir do século XIX, os assalariados passaram a pressionar os seus patrões. Eram feitos pedidos de melhores condições de trabalho, salários dignos e reduções da jornada de trabalho. Com maiores salários, os trabalhadores também puderam aumentar o seu nível de consumo, de modo que fosse possível aumentar a produção de bens de consumo.

Movimento Ludista (1811-1812)

Diversas reclamações contra as máquinas criadas após a revolução para economizar a mão-de-obra já eram normais. Porém em 1811 foi o estopim, onde surgiu o movimento ludista, que foi considerada uma forma de protesto radical.

Os ludistas despertaram atenção pelos seus atos. Invadiram fábricas e quebraram máquinas, pois segundo eles, elas eram mais eficientes que os homens e consequentemente tiravam os seus trabalhos.

Os manifestantes sofreram forte repressão, sendo condenados até a prisão. Os ludistas ficaram marcados como os “quebradores de máquinas”. Após anos, os assalariados ingleses mais experientes criaram métodos mais poderosos de luta, como a greve e o movimento sindical.

Movimento Cartista (1837-1848)

Esse movimento foi criado pela Associação dos Operários, onde o seu objetivo era solicitar:

  • Melhores condições de trabalho;
  • Redução da jornada de trabalho para oito horas;
  • Regulamentação do trabalho feminino;
  • Fim da extinção do trabalho infantil;
  • Folga semanal remunerada;
  • Salário mínimo (para garantir a sobrevivência de uma família);

O Movimento Cartista ainda lutou pela  instituição de novos direitos políticos, como a formação do sufrágio universal (neste período, o voto era um direito apenas dos homens), o fim da exigência de ter propriedades para que se pudesse ser eleito para o parlamento e o fim do voto censitário.

O Movimento Cartista também se destacou pela sua organização e por sua forma de agir, chegando a obter diversos direitos políticos para os trabalhadores.


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