Guerra Fria – O que é? Características, Causas, Países Envolvidos


História da Guerra Fria

A Guerra Fria teve seu início logo depois da Segunda Guerra Mundial. Aconteceu porque os EUA e a União Soviética disputavam a hegemonia econômica, política e militar do mundo.

Na época a União Soviética possuía um sistema socialista, que tinha sua base em:

  • Economia planificada
  • Igualdade social
  • Partido único (partido comunista)
  • Falta de democracia

Os Estados Unidos, por outro lado, defendiam que o sistema capitalista se expandisse. Se baseavam na economia de mercado, propriedade privada e sistema democrático.

Acontece que a partir da década de 40 essas duas potências mundiais tentaram implementar seus sistemas econômicos e políticos em outros países.

Surge então a expressão Guerra Fria, visto que a luta aconteceu no campo ideológico e não físico. Sendo assim, não houve luta armada militar direta entre eles.


Causas da Guerra Fria

Como já foi dito anteriormente, a principal causa da Guerra Fria é que duas grandes potências mundiais queriam implementar seus sistemas econômicos e políticos em outros países.

Então, ao passo que a União Soviética tentava implementar o socialismo em outros países, os Estados Unidos buscavam a expansão do sistema capitalista.

Isso tudo gerou um grande conflito, originando a Guerra Fria, que era uma guerra ideológica. Como já foi citado, nunca houve um conflito militar armado e sim uma guerra por poder.

História

Corrida EspacialCorrida espacial guerra fria

Houve um grande número de inovações tecnológicas ocorrendo durante a Guerra Fria. Isso aconteceu como uma forma encontrada pelos Estados Unidos e a União Soviética de demonstrar sua superioridade intelectual.

A corrida espacial se encontra nesse contexto, entre inovações na área de química, informática e física. Então, houve um grande investimento em tecnologia aeroespacial. Isso porque ela era imprescindível para que os países pudessem lançar seus foguetes e mísseis.

A URSS investiu pesadamente em uma nova geração de armas. Isso porque se sentiam ameaçados pelos estratégicos bombardeios americanos que possuíam muitos artefatos nucleares sobrevoando as fronteiras da URSS.

Dessa forma, a União Soviética deu início à corrida espacial no ano de 1957 ao lançar o Sputnik 1. Esse era o primeiro artefato humano a chegar ao espaço e conseguir orbitar o planeta, desencadeando a crise do Sputnik.

Já em novembro desse mesmo ano, foi lançado o Sputnik 2, tripulado pelo primeiro ser vivo a sair do planeta: a cadela chamada Laika.

Depois do lançamento das missões Sputnik, os Estados Unidos entraram na disputa lançando o Explorer I, no ano de 1958. No entanto, estando um passo à frente, a União Soviética lançou a Vostok 1 em 1961. Essa investida foi tripulada por Yuri Gagarin, que foi o primeiro ser humano a ir e voltar do espaço estando a salvo.

Com isso, a rivalidade aumentou, chegando ao ponto de o Presidente John F. Kennedy, dos Estados Unidos, a prometer que americanos seriam enviados à lua e trazidos de volta antes do fim da década.

A missão Apolo 11, então, levou Neil Armstrong e Edwin Aldrin até a lua, sendo os primeiros homens a caminhar sobre ela.

A corrida espacial perdeu um pouco da sua importância com a distensão de 1960 a 1970 e volta a brilhar por volta dos anos 1980.

Caça as Bruxas

Houve, por parte dos Estados Unidos, uma forte política de combate as comunistas. Isso valia tanto para o seu território quanto para o mundo.

Então, eles passaram a usar jornais, televisão, cinema, propagandas e até histórias em quadrinhos para valorizar o “american way of life”, ou seja, o jeito americano de viver. Nessa época, muitos foram presos e marginalizados por defenderem ideias próximas do socialismo.

Houve ainda um movimento chamado Macarthismo, comandado por Joseph McCarthy, que chegou a perseguir diversas pessoas. Essa ideologia se alastrou pelos países aliados dos Estados Unidos, a fim definir que o socialismo era algo ruim.

Na União Soviética não foi diferente. Os integrantes do Partido Comunista também perseguiam, prendiam e matavam aqueles que não seguissem as regras do Governo.

A divisão da Alemanha

Depois da Guerra Fria, houve uma divisão na Alemanha, de acordo com áreas de ocupação entre países vencedores. Com capital situada em Berlim, a República Democrática da Alemanha passou a ser a zona de influência soviética, ou seja, socialista. Com capital em Bonn, a República Federal da Alemanha, ficou sob a influência de países capitalistas.

Guerra Fria

Logo, Berlim estava dividida em 4 forças vencedoras de guerras:

  • Inglaterra
  • URSS
  • EUA
  • França

Logo, em 1961 foi levantado o famoso muro de Berlim, que tinha coo objetivo dividir a cidade em duas partes. Uma das partes era capitalista e a outra socialista.

“Cortina de Ferro”

Winston Churchill, em 1946, fez um famoso discurso no qual usou a expressão “cortina de ferro”. A expressão foi usada pelo primeiro ministro britânico como referência à influência da URSS sobre os países socialistas do leste europeu.

Churchill defendia que a URSS havia mudado depois da Segunda Guerra Mundial. Ela  teria se convertido em uma grande inimiga dos valores ocidentais, especialmente liberdade e democracia.

Plano Marshall e COMECON

Depois da guerra, as nações europeias estavam fragilizadas. Com isso, os EUA tiveram a oportunidade de oferecer diversos apoios econômicos para Europa aliada. Com isso, ofereciam aos países a oportunidade de se reerguer e conhecer as vantagens do capitalismo.

Com isso, George Marshall, propôs a criação de um plano econômico amplo, que ficou conhecido com plano Marshall. Esse plano iria conceder diversos empréstimos com baixos juros e investimentos públicos. Isso iria afastar a ameaça do socialismo e facilitar o extermínio da crise.

Os EUA fizeram uma série de investimentos importantes nos países aliados. Um destaque foi para a França, a Alemanha Ocidental e o Reino Unido.

OTAN e o Pacto de Varsóvia

No ano de 1949 o Canadá e os EUA, junto com a maioria dos países europeus, criaram a OTAN. Tudo isso foi feito com o suporte de alguns governos que incluíam os socialistas.

A OTAN é a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Essa aliança militar tinha como objetivo a proteção contra um suposto ataque dos países do leste europeu.

Como forma de resposta, a URSS firmou com os seus aliados o pacto de Varsóvia, em 1955. A ideia era unir forças militares na Europa Oriental. Com as alianças em pleno curso, qualquer conflito iminente poderia ocasionar uma guerra civil como nunca foi visto antes.

Isso criou muita tensão, que cresceu quanto as duas potencias iniciaram uma corrida armamentista. Nela, venceria aquele que produzisse mais tecnologia bélica e armas.

O macarthismo teve seu auge nos anos 1950 com a criação do Comitê de Investigação de Atividades Americanas do Senado dos Estados Unidos, que investigavam atividades pró-comunismo, que eram completamente proibidas.

Isso tudo acabou com o meio artístico norte americano, visto que havia uma Lista Negra de Holluwood. Foram perseguidos produtores e simpatizantes da esquerda.

Envolvimentos indiretos

Guerra da Coréia

A Guerra da Coreia foi um conflito armado ocorrido entre Coria do Sul e do Norte entre 1950 e 1953. Seu plano de fundo foi a disputa política ocorrida entre Estados Unidos e União Soviética, a Guerra Fria.

Esse combate foi o primeiro conflito armado da Guerra Fria. Isso deixou todos tensos pelo risco iminente do início de uma guerra nuclear por causa das potências que estavam envolvidas na época.

As Nações Unidas enviaram, tropas para a região logo depois da invasão norte-coreana. O objetivo era expulsar os norte coreanos e devolver o comando de Seul aos norte-coreanos.

Os EUA participaram da Guerra ao lado dos sul-coreanos, enquanto a China enviou tropas apoiando a Coreia do Norte.

Houve, no entanto, uma ameaça do governo norte-americano no ano de 1953. Eles ameaçaram usar armas nucleares caso a Guerra não acabasse.

Em 28 de março a Coreia do Norte aceito a proposta feita pelas Nações Unidas. Em julho do mesmo ano foi assinado o tratado de paz que dava fim à guerra.

Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã foi um grande confronto envolvendo militares socialistas e capitalista na Guerra Fria. Nela, os guerrilheiros pró-comunistas do vietname do sul e o vietname do norte se opuseram ao governo a favor do capitalismo do vietname do sul e dos Estados Unidos.

O Vietnã, depois de ficar independente da França, foi separado em duas zonas de influência. Elas seriam mantidas cada um sob um regime, comunista ou socialista, e desmilitarizadas.

Então, se estabeleceu que em 1957seria realizado um plebiscito a respeito da reunificação ou não do país, bem como o regime adotado caso a unificação ocorresse.

Acontece que o Vietname do sul tinha um líder muito popular. Então, decidiram proibir o plebiscito em seu território, para manter seu alinhamento com os EUA, diferentemente do Vietname do Norte, que queria a unificação.

Com isso, o norte se lançou em guerra contra o sul, contando com o apoio dos vietcongs, que era um grupo rebelde do Sul. A situação de guerra se manteve favorável para o Vietname do Norte até meados de 1965.

No entanto, os EUA iniciaram um ataque que tinha tudo para ser um grande massacre de vietnamitas. Porém, o Vietneme do Norte lutou incessantemente e conseguiu vencer os Estados Unidos através do conhecimento que tinha do próprio território.

Com isso, ficou mais evidente o fracasso da política adotada pelos norte-americanos na Ásia. A consequência foi a reformulação da política externa no Oriente, ocorrida no Governo Nixon.

Crises da Guerra Fria (1956 – 1962)

Revolução húngara (1956)

A Hungria foi ocupada pelo exército vermelho depois da Segunda Guerra Mundial. Isso garantiu uma grande influência da União Soviética nessa região.

Lá, se encontrava uma democracia pluripartidária no pós-guerra, que durou até 1949, quando foi declarada a República Popular da Hungria. Depois disso, se tornou comunista e liderada por Mátvás Rákosi.

Com esse novo governo, houve uma série de prisões em campos de concentração, julgamentos, torturas e deportações. A economia também não estava bem e a moeda estava se desvalorizando.

Por causa disso, a população decidiu tomar as ruas de Budapeste em outubro de 1956. A ideia era acabar com a ocupação da União Soviética e implantar o “socialismo verdadeiro”. Os manifestantes e a autoridade policial entraram em confronto e, durante isso, a estátua de Josef Stálin foi derrubada.

Com a troca do governo os conflitos se intensificaram. Com isso, houve uma trégua por parte dos soviéticos com os populares. Logo em seguida, o exército soviético atuou violentamente contra os manifestantes, levando Janos Kadar ao poder.

Guerra de Suez (1956)

Em 1953, o rei do Egito foi derrubado por Gama Nasser, que queria instalar uma política nacionalista. Como primeiro feito político ele declarou guerra contra o estado de Israel, recém-criado. Ele ainda aliou-se à Síria e à Jordânia a fim de realizar seus intentos políticos.

Nasser ainda declarou a intenção de nacionalizar o Canal de Suez, controlado majoritariamente por britânicos e franceses. Isso deixou essas duas potências preocupadas. Isso porque ambas precisavam do canal para realizar seus interesses comerciais.

Com isso, França, Israel e Reino Unido se aliaram, declarando guerra ao Egito. Essa guerra incomodou muitos países. O Estados Unidos, inclusive, tentara fazer com que os europeus mudassem de ideia a esse respeito. Eles levaram até mesmo o Conselho de Segurança das Nações Unidas com uma petição para a retirada das tropas do Egito, mas não houve acordo.

Ocorreu uma crescente pressão econômica e os Estados Unidos ameaçaram o uso de “modernas armas de destruição em Paris e Londres, fazendo com que esses países recuassem. Assim, os aliados também se retiraram em 1957.

Crise dos Mísseis (1962)Crise dos misseis

Cuba passou por uma revolução em 1959, que acarretou na retirada do ditador Fulgêncio Batista, que era pró-estadunidense. Foi instaurado o regime socialista, que preocupou a Casa Branca, que atuou tentando depor o governo novo, apoiando os membros do antigo. Isso deu início a um embargo econômico em Cuba.

Cuba teve que passar a adquirir seus produtos, como petróleo e grãos da URSS, visto que havia um bloqueio com os EUA. A CIA até organizou, em 1961, o envio de um grupo armado de oposição. A intenção era depor Fidel Castro na operação da invasão da Baía dos Porcos. Foi tudo um grande fracasso.

No ano de 60 foi vista a construção de 40 silos nucleares em Cuba. No entanto, eles alegaram que era apenas uma medida de proteção conta uma possível investida dos EUA.

O presidente Kennedy, então, ordenou uma quarentena à Ilha de Cuba. Ele colocou navios militares no mar caribenho, a fim de fechar os contatos marítimos deles com a União Soviética.

Fidel alegou não haver irregularidade na instalação dos mísseis. A União Soviética disse que não entendia a posição de Kennedy se também haviam mísseis norte-americanos instalados no território de países da OTAN que eram contra eles.

Kruschev mandou uma carta para kennedy em 24de outubro informando que as suas intenções eram pacificas. Disse também que iria retirar seus misseis de Cuba se Washington se comprometesse a não invadir Cuba.

No dia 28, Kennedy cedeu e retirou seus misseis da Turquia, prometendo não atacar Cuba. Cumprindo o acordo, Kurschev também retirou seus misseis e Cuba.

A Distensão (1962 – 1979)

A distensão da guerra fria ocorreu em seguida da guerra dos mísseis. Isso tudo pelo fato de que o conflito quase levou essas grandes potencias a um grande embate de proporções nucleares.

A URSS e os Estados Unidos assinaram um acordo par evitar a ocorrência de uma catástrofe mundial. Então, a política Dátente (distensão) recebeu seguimento por Brejnev. Mais tarde ele iria criar um programa diplomático e de distensão que o salvaria a si mesmo, visto que havia entrado em uma estagnação econômica.

No decorrer da atuação de Brejnev o povo pode presenciar um incrível momento de paz mundial depois da Guerra Fria.

A “Segunda” Guerra Fria (1979-1985)

A União Soviética e os Estados Unidos mantiveram relações amistosas. Isso foi vantajoso para a expansão dessas duas grandes potênciais mundiais.

No entanto, de 1979 a 1985 houve um período conhecido como a “II Guerra Fria”. Isso porque foram retomadas as hostilidades indiretas entre ambos, depois da distensão.

Era Gorbachev e fim da Guerra Fria

Depois da atuação de Brejnev, a União Soviética passou por duas rápidas gestões. Foram de Yuri Andropov e Konstantin Chernenko, que eram os segundo homens de Brejnev.

Depois do líder conhecido com o último bolchevique, Chernenko, se elegeu Mikhail Gorbachev. Ele tinha uma plataforma política que defendia uma reforma na União Soviética para que ela pudesse se adequar à realidade mundial.

Foi no seu Governo que apareceu uma geração de políticos tecnocratas. Isso firmou e acabou impulsionando a reforma da URSS e abrindo para uma aproximação diplomática com o mundo ocidental.

Embora Gorbachev fosse defensor de Marx, ele apoiava o liberalismo econômico como uma saída para os problemas econômicos e sociais enfrentados. Isso porque desde os anos 70 havia uma condição frágil. Isso foi potencializado com a queda na expectativa de vida e na produtividade dos trabalhadores.

Os problemas não eram somente esses e frente à eles, Gorbachev aplicou seus dois planos de reforma da URSS. Os planos era Perestroika e Glasnost.

Com isso, houve um afrouxamento na ditadura imposta por Moscou em outros países. O Pacto de Varsóvia foi enfraquecendo, e o Ocidente e o Oriente, cada vez mais se pacificavam.

O fato é que os planos de Gorbachev tiveram um bom impacto na sociedade. No ano de 1989 ocorreram as primeiras eleições livres do mundo socialista. Na época haviam vários candidatos e a mídia estava livre à discussão.

Pronto, agora você já sabe um pouco mais sobre a Guerra Fria, como aconteceu, os conflitos secundários e os principais envolvidos nesse embate.


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