Getúlio Vargas – Biografia, Governo, Fim da Era Vargas, Legado

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Vida antes da presidência

Vida pessoal

Em 19 de abril de 1882, em São Borja, no Rio Grande do Sul nascia Getúlio Vargas. Ele tinha mais 4 irmãos chamados Espártaco, Potássio, Benjamim e Viriato.

Ele casou-se na mesma cidade em 4 de março de 1911, quando tinha 28 anos e sua esposa Darcy Lima Sarmanho tinha 15 anos. Este matrimônio gerou 5 filhos: Lutero Vargas, Getulinho, Alzira Vargas, Jandira Sarmanho Vargas e Manuel Sarmanho Vargas. O último cometeu suicídio em 1997, tal como seu pai.

O casamento ocorreu por uma conciliação e as famílias de ambos apoiavam o partido político rival na Revolução Federalista. A família da noiva era Maragato (Partido Federalista do RGS) e a de Getúlio era Ximango (Partido Republicano Rio Grandense).

Muitos relatam que Getúlio Vargas teve uma amante por volta de 1930, que seria Juracy Magalhães. Em seu livro “O último tenente” (livro-entrevista autobiográfico) Juracy faz afirmações que se tratava de Aimée Sotto Maior.

Religião

Getúlio foi escolhido como orador da turma da Faculdade Livre de Direito, em Porto Alegre em 1907. No seu discurso, Getúlio Vargas fez a seguinte afirmação: “A moral cristã é contraria a natureza humana.”

Getúlio Vargas proclamava-se agnóstico e teve sua formação influenciada pelo positivismo. Seu irmão Protásio Vargas e Júlio de Castilhos, seu mentor político, eram adeptos.

Porém ao longo dos anos, seu discurso foi se modificando. Ele percebeu que a igreja católica era uma grande aliada para o golpe de 1930. Foi quando foi alçado à Presidência da Republica.

Em 1930, Sebastião Leme, segundo Cardeal do Brasil, pressionou Getúlio Vargas a introduzir novamente o catolicismo no meio público brasileiro. Esta pressão levou Getúlio, por meio de decreto, a introduzir o ensino religioso nas escolas públicas.

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Carreira política

Governo Provisório (1930 – 1934)

Após a tomada do poder por meio de um golpe militar, instaurou-se a ditadura. Getúlio Vargas passa a desfrutar de poderes quase absolutos.

Aproveitando-se disto, criou novos ministérios, como por exemplo: Ministério da Industria e Comercio, Ministério do Trabalho, Ministério da Educação e Saúde. Também nomeou os interventores federais. Com isto, na prática, os estados passavam quase toda sua autonomia para o presidente.

Neste período ocorre também a Lei da Sindicalização, que tinha como finalidade vincular os sindicatos Brasileiros (indiretamente) por meio da câmara de deputados, ao presidente. Ele pretendia com isto, ganhar a simpatia e o apoio da população nas suas decisões.

Getúlio também valorizou a política do café, criando o Conselho Nacional do Café e o Instituto do cacau. Desta forma acatava as solicitações das oligarquias cafeeiras.

Foi na era Getúlio Vargas que ocorreram muitos avanços na legislação trabalhista. Nem todos os créditos são devidos a ele visto que muitas mudanças ocorreram por parte de parlamentares constituintes. Inclusive, a maior mudança foi a criação da CLT em 1941. Mudança esta que se mantem até os dias de hoje.

Revolução Constitucionalista de 1932

No ano de 1931 o governo de Getúlio destitui a Constituição brasileira. Isso provocou a indignação dos seus adversários, especialmente das oligarquias cafeeiras e a classe intermediaria paulista que já estavam insatisfeitos com seu governo.

Getúlio percebeu seu erro e tentou contornar nomeando um procurador oligarca paulista. Porém, seus adversários já planejavam uma rebelião armada para resguardar a criação de outra constituição.

Muitos âmbitos da comunidade paulista se mobilizam quando 4 estudantes de São Paulo (Dráuzio, Martins, Camargo e Miraguaia) foram assassinados, em 23 de maio de 1932.

Neste mesmo ano, a revolução estoura no estado e os paulistas começam a ganhar o apoio de tropas de vários estados. Tais como: Rio Grande do Sul, Minas e Rio de Janeiro; porém Getúlio foi mais astuto e conseguiu interditar estas alianças. São Paulo, isolado e sem apoio, fica vulnerável e sem mais alternativas, se rende em 28 de setembro.

Apesar do êxito militar, Getúlio Vargas concede algumas solicitações dos republicanos e outorga a Constituição de 1934.

A fim de conter a revolta paulista, Getúlio Vargas, encarou varias dificuldades na divisão militar. Muitos generais não acatavam as ordens com medo das ameaças que sofriam de perder seus cargos.

Mesmo em meio a crise militar, no 3 de outubro de 1932 Getúlio consegue dar fim a revolta paulista. Em 1933 se realizou uma auditoria nas contas externas do Brasil, conseguindo mais tarde um acordo com os credores para reduzir a dívida em 60%.

O Governo Constitucionalista (1934 – 1937)

No dia 16 de julho de 1934 é decretada a nova constituição.  A mesma trazia várias inovações como: a obrigatoriedade do ensino primário, o direito da mulher ao voto, voto secreto e várias mudanças nas leis trabalhistas. Ela determinou também que depois da sua promulgação, o primeiro presidente seria eleito (de forma indireta) pelos componentes da Assembleia Constituinte. Quem venceu foi Getúlio Vargas.

Foi nesta época então que duas tendências políticas começaram a induzir a sociedade brasileira. De um lado estava a direita que fundava a AIB (Ação Integralista Brasileira), defendendo um Estado corporativista, influenciado pelo fascismo. Do outro lado estava a esquerda, que aumentava a força da ANL (Aliança Nacional Libertadora) amparado pelo regime comunista da União Soviética.

Estes partidos tinham posição nacional, ao contrário dos partidos que eram dominantes na velha república. Representavam somente seu estado (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, etc.). Lembrando que esta tendência existe até os dias de hoje, eram eles:

  • Aliancismo: sustentava a esquerda do Brasil (Intentona Comunista) e era comandado por Luiz Carlos Prestes e Olga Prestes que consideravam Getúlio Vargas um grande problema.
  • Integralismo: sustentava a direita do Brasil, e era comandando por Plinio Salgado.

Intentona Comunista e Plano Cohen (1935 – 1936)

Tanto Getúlio Vargas, como as altas lideranças das Forças Armadas, eram contrários ao comunismo. Getúlio usou este argumento para conseguir sua maior conquista política: o golpe de 1937.

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A Aliança Nacional Libertadora (ANL) foi criada pelo PCB e surgiu em 1932. Mas, Getúlio Vargas a fechou o partido declarando-o ser ilegal.

Então, em 1935, a ANL, com apoio internacional comunista, criou a Intentona Comunista. Era abertamente um movimento contra Getúlio Vargas, e foi contida facilmente por ele. No ano de 1937, os integralistas falsificaram o “Plano Choen”, no qual dizia que os comunistas traçavam uma revolução bem maior e mais elaborada do que em 1935. Eles queriam contar com o total apoio do Partido comunista da União Soviética.

Assim, diante das circunstâncias, a classe média brasileira e os militares dão apoio a ideia de um governo mais sólido. Para expulsar a ameaça de um governo comunista por imposição, contando com o apoio popular e militar, Getúlio Vargas derruba a Constituição de 1934  e declara o Estado Novo.

Estado Novo (1937 – 1945)

Essa nova constituição que foi criada em 1937, que originou o “Estado Novo” getulista era totalmente autoritária e centralizadora. Acabou com a liberdade partidária e a independência que havia entre os poderes, bem como o federalismo que existia no país.

Vargas ainda fechou o Congresso Nacional e promoveu a criação do TSN, o Tribunal de Segurança Nacional. A partir de então, os deputados passaram a ser eleitos pelo presidente, enquanto os prefeitos eram eleitos pelos deputados.

No decorrer da Segunda Guerra Mundial, durante o ano de 1942, a marinha da Itália Fascista e da Alemanha Nazista passaram a aumentar a abrangência sua guerra submarina. Incluíram países que tinham aprovado o compromisso da Carta do Atlântico, implicando um alinhamento com os EUA desde que os mesmos foram atacados em Pearl Harbor.

Com isso, diversos navios mercantes do Brasil foram afundados no Atlântico. Porém, a má situação econômica alemã e a pouca diferença que nosso país tinha nesse contexto, fez com que se acreditasse que essa ação teve outros interesses. Isso porque diante do alarde feito pela mídia sobre esses casos, o povo saiu às ruas para exigir que o governo reagisse declarando guerra.

Vale lembrar que os EUA haviam prometido uma invasão à região nordeste caso o Brasil continuasse a se manter neutro. No entanto, mesmo mantendo uma atitude diplomaticamente passiva, os aviões da FAC passaram a atingir todos os submarinos italianos e alemães que fossem avistados.

Com o torpedeamento de 5 navios a costa brasileira, o Brasil se declarou oficialmente contra Alemanha e a Itália, unindo-se contra os aliados.

Foi nessa época que Getúlio assinou o Tratado de Washington juntamente com o presidente Roosevelt, dando um significativo impulso no ciclo da borracha. Isso levou avanços para a região amazônica, bem como colonização. Que cerca de 54 mil trabalhadores nordestinos migraram para a Amazônia.

Declínio e fim da Era Vargas

No ano de 1943 foi feito um documento chamado Manifesto dos Mineiros. Deu início à oposição aberta ao Estado Novo, criticando de forma aberta o regime ditatorial instaurado no período. Esse documento foi assinado por cerca de 76 políticos, empresários e intelectuais de Minas Gerais, exigindo que houvesse uma redemocratização, sendo passado de mão em mão de forma clandestina.

Já no dia 29 de outubro do ano de 1945 o próprio Getúlio Vargas renuncia seu cargo em sua carta-testamento. Ele alegou a iminência de sofrer um golpe militar e ser deposto, tendo de ser levado para o exílio em sua cidade natal.

Novas eleições livres foram realizadas em dezembro desse mesmo ano, tanto para a presidência quanto para o parlamento. Getúlio foi eleito como senador por um grande número de votos.

Esses fatos marcaram o fim da Era Vargas. Mas, não definem o fim de Vargas, que ainda voltou a presidir o Brasil em 1951, eleito pelo voto popular.

O intervalo 1945 – 1950

No seu afastamento, Getúlio não sofreu qualquer tipo de punição. Tampouco sofreu exílio como o que ele impôs ao presidente Washington Luís quando o depôs. Também não respondeu a nenhum processo ou teve seus direitos políticos caçados. Ele apenas se retirou da cena para passar um tempo em sua estância em São Borja.

Nesse tempo, deu seu apoio para a candidatura de Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro de guerra, sendo uma das condições para que não fosse exilado. Mesmo considerando Dutra um traidor por ter apoiado o golpe de 29 o mesmo conseguiu se eleger.

Já na formação da Assembleia constituinte de 1946, os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul elegeram Getúlio Vargas como senador. Em uma entrevista coletiva ele ainda afirmou não ter se candidatado a nenhum cargo coletivo. Foi eleito mesmo assim, com votos em todo o Brasil por um movimento espontâneo do povo.

Em 1945 ele ainda participou da criação do Partido Social Democrático (PSD) que era basicamente formado por ex-interventores do Estado Novo. Chegou a ser presidente do partido, sendo o único parlamentar que não assinou a Constituição de 1946.

Em seguida ele foi escolhido como representante gaúcho no Senado. Cumpriu seu mandato de 1946 a 1947, período em que criticou o governo Dutra. Seu último discurso foi em 3 de julho de 1947.

Getúlio, ainda participou de comícios em diversas capitais do país, defendendo as ideias do PTB. Isso antes de se retirar para São Borja, ainda em 1947, abandonado o Senado, onde recebia diversas críticas. Ele passou a viver em sua estância.

-1950

No mês de agosto e 1950, a Revista do Globo trouxe um suplemento especial republicando reportagens bibliográficas de Vargas. Obteve uma grande repercussão com uma foto do mesmo montado em um cavalo e a seguinte frase: “Se o cavalo passar encilhado ele monta”!, tratando de uma possível candidatura dele na próxima eleição, o que de fato aconteceu.

Em 1950 Getúlio Vargas volta à política se candidatando pelo PTB à presidência da república. Derrotou Eduardo Gomes da UDN e Cristiano Machado do PSD. Lembrando que diversos membros do partido acabaram abandonando Cristiano para apoiar Vargas.

O governo eleito (1951 – 1954)

A volta de Vargas ao poder foi comemorada por muitos. Até a música popular brasileira, na voz de Francisco Morais Alves, homenageou o retorno do mesmo.

O Ministro da Justica de Getúlio, Tancredo Neves, disse que o seu governo tinha como uma preocupação de se livrar do ditador. Getúlio afirmou: “Fui ditador porque as contingências do país me levaram à ditadura, mas quero ser um presidente constitucional dentro dos parâmetros fixados pela Constituição”.

A posse ocorreu no Palácio do Catete no dia 31 de janeiro do ano de 1951 devendo estender-se até 31 de janeiro de 1956.  Promovendo mudanças no Ministério, Getúlio trouxe antigos aliados da revolução de 1930, reconciliando-se com diversos políticos.

Com um governo tumultuado por diversas medidas administrativas controversas e mediante acusações de corrupção, bem como um reajuste de 100% no salário mínimo, houve em 1954 um protesto público dos militares contra a administração. Ela vinha sendo feita com a demissão de João Goulart, ministro do trabalho, em seguida.

Esse Manifesto dos Coronéis teve a assinatura de 79 militares, sendo que muitos eram ex-tenentes de 1930. Resultou em uma importante diminuição do apoio ao governo getulista em meio aos militares, como na área trabalhista por causa da demissão de João Goulart.

Fora isso, diversos outros atos polêmicos marcaram a administração de Getúlio. Tais como: leis que autorizam o governo a intervir do domínio econômico, definição de crimes contra o Estado. Também a Ordem Política Social e etc.

Morte de Getúlio Vargas

Em 5 de agosto de 1954 ocorreu um crime na Rua Tonelero, frente ao edifício em que residia Carlos Lacerda em Copacabana. Em decorrência desse crime, Getúlio recebeu pressão de militares e da imprensa para renunciar. Ou pelo menos pedir licença da presidência.

Toda essa turbulência e crise levou Getúlio Vargas a cometer suicídio na madrugada do dia 24 de agosto de 1954. Isso depois de ter feito sua última reunião ministral, na qual havia sido aconselhado a pedir licença do cargo.

Em sua agenda, na página do dia 23 de agosto de 1954 ele escreveu o seguinte: “Já que o ministério não chegou a uma conclusão, eu vou decidir: determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver.”

Getúlio Vargas morte

Na reunião com os ministros ele concordou em se licenciar desde que a ordem fosse mantida. Alegou que caso contrário “persistirá inabalável no propósito de defender suas prerrogativas constitucionais, com sacrifício, se necessário, de sua própria vida”.

Getúlio Vargas cometeu suicídio dando um tiro no próprio coração, em seus aposentos no Palácio do Catete, onde residia. Em seu lugar, assumiu a vice-presidência Café Filho, que era da oposição. Ele nomeou novos ministros, dando uma nova orientação ao governo.

O corpo de Getúlio foi levado para ser enterrado em sua terra natal e sua morte gerou muita comoção nas ruas. A família recusou que o corpo fosse transportado pela FAB e recusou as homenagens oficiais oferecidas por Café Filho.

Legado

No dia seguinte ao suicídio diversas pessoas saíram às ruas para homenagear o “pai dos pobres”, chocadas com a notícia que circulava. Alguns anos mais tarde o cantor Teixeirinha fez uma homenagem a Getúlio com a 6ª faixa do seu LP.

Além disso, Getúlio Vargas foi retratado diversas vezes como personagem em filmes do cinema e também na televisão. Ganhou também referências a literatura no livro de Jô Soares, denominado “O homem que matou Getúlio Vargas”.

Getúlio foi tema de documentários, teve a efígie impressa na nota de dez cruzeiros e cunhada nas moedas de centavos de cruzeiros circulantes até 1970. Foi homenageado em uma música de Chico Buarque e sua eleição de 1930, bem como a revolução de 1930, foram imortalizadas em marchinhas de Francisco de Morais Alves.

Preservação da memória e homenagens

Os pertences do ex-presidente se encontram no CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, que faz pesquisas sobre a história brasileira desde 1930. Além disso, existem 3 municípios brasileiros que tem seus nomes em homenagem à esse ex-presidente:

  • Getúlio Vargas – Rio Grande do Sul
  • Presidente Vargas – Maranhão
  • Presidente Getúlio – Santa Catarina

Além disso, diversas instituições recebem o nome de Getúlio em sua homenagem. Tal como a refinaria de Araucária e a siderúrgica de Volta Redonda.

Getúlio Vargas ainda recebeu, no dia 26 de abril de 1986 o título de “patrono dos trabalhadores do Brasil”, outorgado pela lei federal nº 7.470.

No ano de 1941 ele ainda foi eleito como o ocupante de 37ª cadeira da ABL. Foi empossado em 1943 e teve diversas obras publicadas.

Pronto, agora você já sabe um pouco mais sobre Getúlio Vargas, seus feitos, sua vida, sua carreira política e seu legado para o nosso país.

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