PostHeaderIcon COMO ENSINAR CIÊNCIAS NATURAIS ÀS CRIANÇAS?

COMO ENSINAR CIÊNCIAS NATURAIS ÀS CRIANÇAS?

 

Como deve ser o trabalho pedagógico para que as crianças se apropriem de conteúdos

de conceitos, procedimentos e atitudes?

 

Não há hoje uma teoria geral que dê conta do processo de aprendizagem escolar total.

 

Nas pesquisas realizadas há maior presença das aprendizagens conceituais em relação às outras duas. Estas apontam algumas conclusões comuns:

 

O lugar atribuído aos conhecimentos prévios do aluno no processo de aprendizagem escolar

Os alunos possuem esquemas de conhecimentos resultantes da aprendizagem escolar e espontânea. Estes esquemas resistem ao questionamento, porque são coerentes para eles. São também difíceis de serem verbalizados, e revelam-se mais nas ações das crianças. Trazer à tona estes conhecimentos e estruturar o ensino a partir destes é necessário para uma aprendizagem significativa.

 

Lugar atribuído ao conflito na mudança conceitual

Que tratamento deve ser dado aos conhecimentos prévios no processo de aprendizagem? Há posturas muito diferentes quanto a isso. No entanto, todos concordam que os conhecimentos prévios devem ser modificados para se aproximarem dos conhecimentos científicos.

 

Com base na Psicologia Genética (Piaget), para que os conhecimentos prévios se modifiquem é necessário colocá-los à proa em diversas situações que os contrariem.

 

Ao esforçar-se por resolver os conflitos cognitivos os esquemas de conhecimento se reestruturam, superando suas antigas limitações. Para isso, é necessário que as crianças adquiram consciência das teorias que sustentam em ação, para que possam torná-las explícitas. A exploração das idéias prévias é útil para que o docente as conheça, mas também para que as crianças reflitam sobre suas próprias idéias.

 

Para a autora, a modificação das idéias prévias deve ser relativizada nas séries iniciais, porque existem limitações para esta tomada de consciência das próprias teorias pêlos alunos. Não ocorrem mudanças conceituais nas séries iniciais, mas os conceitos são ampliados, enriquecidos e relatívizam as teorias espontâneas das crianças.

 

Lugar atribuído à ação na aprendizagem das ciências

Embora toda proposta de ensino ."inovadora" proponha a atividade do aluno, há diferentes concepções de atividade que delimitam estratégias de ensino e  possibilidades de aprendizagem.

Os "guias de experimentos" e os trabalhos práticos promovem atividade física, mas   será que os alunos são ativos do ponto de vista cognoscitivo? Para a psicologia genética, a atividade tem caráter psicológico, que tende a conferir significados. Uma proposta é ativa quando favorece a construção de novos significados nos alunos. Se isso  não ocorrer, estaremos diante de ações físicas carentes de conteúdos (ativismo).

 

Lugar atribuído à informação e suas implicações didáticas.

Nas décadas de 60 e 70, a ênfase nos conteúdos de procedimentos (método científico) colocou em desuso os  conteúdos conceituais. Nos anos 80 verificou-se que as crianças

não aprendiam os procedimentos como se esperava e também não tinham acesso aos conteúdos conceituais. Há uma relação entre o modo como se constrói o conhecimento e o objeto do conhecimento que se constrói. Não é possível separar conteúdos  conceituais e procedimentais. Os conteúdos conceituais são importantes para promover nos alunos a construção dos "esquemas de conhecimento". Precisam ser transmitidos, porque as crianças não os descobrem espontaneamente; no entanto, a escola deve, ao transmiti-los, {garantir sua apropriação ativa (significativa).

 

É possível ensinar ciências num contexto de crise educacional?

Nossa escola primária de massa está deixando de ensinar para ocupar-se de alimentar, promover a saúde, ou seja, para promover a assistência social. Isso acentua a marginalização de setores populares em relação ao acesso ao conhecimento. Alguns professores assumem as tarefas assistenciais como próprias do seu papel, o que diminui ainda mais o espaço do ensino das ciências naturais, conjugado com a falta de recursos didáticos, de equipamento mínimo e a reduzida formação na área.

Reconhecer essa realidade não significa aderir a ela nem desesperançar-se. Um caminho

possível é a articulação coletiva entre educadores na produção de conhecimento.

Nas escolas: abri-las à comunidade e estabelecer vínculos com outras instituições do

Estado e da sociedade civil. Esta estratégia pode possibilitar mais aproveitamento de

recursos, liberaria a escola de tarefas que não lhe competem e permitiria reconstruir

vínculos sociais. A articulação intra e interinstitucional é uma condição para que

vinguem práticas pedagógicas que promovam a aprendizagem das ciências naturais

 
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